Nesta sensível estreia de Fabiane Secches no romance, Ilhas suspensas equilibra ensaio e ficção para contar não apenas uma história sobre saudade e solidão, como também sobre amor, família e amizade. Mariana tem encarado a maternidade sob diferentes formas: primeiro, com a morte de sua mãe; depois, com a frustração de várias fertilizações in vitro malsucedidas; por fim, com o distanciamento da própria língua materna, quando se vê migrando com o marido para um país cujo idioma, composto de fonemas desconhecidos, ela não compreende. A dinâmica de constantes perdas leva Mariana a um quadro depressivo que só é aliviado pela companhia dos livros e de seu cachorro, Quincas. Entre se adaptar ao novo bairro, acostumar-se ao clima estranho e se moldar A atual rotina do marido — que, devido ao trabalho, se ambientou As mudanças com muito mais facilidade —, Mariana se dedica A escrita de sua tese de doutorado, sobre a presença de animais na literatura, enquanto coleciona trechos das obras de Donna Haraway, Susan Sontag e Carola Saavedra, na tentativa de encontrar algum tipo de resposta para as suas inquietações. De fato, é na literatura que ela experimenta esse acalanto, mas é ao lado de um grupo de amigas imigrantes que a possibilidade de recomeçar se apresenta. Lendo Ilhas suspensas, o leitor desbrava com a protagonista um caminho promissor: o do esforço, atento e compassivo, pela transposição das barreiras sensíveis — do Umwelt, para citar um dos conceitos que irrigam o texto — entre os diferentes seres e pessoas. Com uma voz narrativa que combina ficção e ensaio, ternura e lucidez, este belo romance de Fabiane Secches nos convida a encarar os impasses da vida contemporânea de olhos bem abertos, ávidos por enredamentos possíveis. — Daniel Galera Entre espécies, países e línguas, Fabiane Secches encontra o lugar terno e candente onde a solidão de uma mulher cabe nas palavras. Ilhas suspensas não parece um romance de estreia, parece mais um retorno — o retorno de uma longa viagem A devastação da perda, A renúncia da maternidade. Uma longa viagem a si própria, cuja estação de chegada e de partida é a mesma: a literatura. — Natalia Timerman
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