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Malangue Malanga

Cód: 9786555190908

Disponibilidade Envio Imediato
Autor: Alves-Bezerra, Wilson Ano: 2021 Páginas: 72 Idioma: Portugues ISBN: 9786555190908 Tipo: Brochura
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Compreensão é miragem, diz Wilson Alves-Bezerra no prefácio de seu diário/delírio de viagem por diferentes línguas e culturas que se misturam a ponto de não sabermos mais onde estamos e em que língua (e sobre o que) lemos. Aliás, pergunta-se o poeta, cuando uno no está en su lengua materna, donde estará?. O taxista somaliano, de Malangue Malanga, está na terra do Tio Sam e conta, em inglês, que no seu país reza para Deus na mesma língua em que luta contra seus irmãos. Como compreender esse e outros paradoxos? Como compreender que o culto irrestrito A liberdade encontra um limite na terra onde o chão não é meu, pero se disse que es nuestro? A liberdade tem uma fronteira na terra, mas não na língua: com a língua, fazemos o que queremos, afinal, cada um fala a língua que pode, e não se entende mesmo assim. Com as mezcla das mistura, ai sempre algo que se diz, algo que se perde, algo que se gana, algo que se desenganará. E voltamos então ao começo: compreensão é miragem, ou, como diria Haroldo de Campos em Galáxias, meço aqui este começo e recomeço. O diário de Alves-Bezerra é uma galáxia A moda Haroldo de Campos, mas uma galáxia que quer que a América Latina seja seu centro (ou melhor, a sua Via Láctea), unida pelo portunhol. Bezerra dialoga, é claro, com Wilson Bueno, Douglas Diegues e outros escritores que se dedicaram e se dedicam ao portunhol, língua franca que torna completamente porosa a fronteira do Brasil com o mundo. Mas a galáxia do poeta se expande para outras experiências linguísticas, como o spanglish, um francês macarrônico e mesmo um português que está longe de ser homogêneo. Chega-se, assim, a uma No mans langue que, por não pertencer a ninguém, abre as portas para todos. No português galáctico de Wilson Alves-Bezerra, fala-se infinitamente, mesmo quando se exige que a boca se feche. A avó, a tia e a mãe falam: Fermez la bouche la langue la mouche. La buela cora zón no para. La tía cora cornalina. La madre cora som bandido. É a impossibilidade de calar que mantém a língua viva, mesmo que haja nela censuras, pois, na orgia de silêncios, ecoam sons, aliterações e assonâncias, como uma sirena urbana, una sereia humana, que trina o apita o llora del otro lado da rua. Um silêncio para se ouvir, um ruído musical. Essa é a língua que a sombra do general latino-americano ameaça, que a violência social quer calar, mas que, assim mesmo, é celebrada neste livro: É o fim dessa lenga língua, da litania, do miserere da matilha, da novena, da dezena, da centena, da milícia. Celebrai a inutilidade da poesia. Dirce Waltrick do Amarante Sérgio Medeiros
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