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Nao Sou Poeta

Cód: 9786553120112

Disponibilidade Envio Imediato
Autor: Soares, Isabela Páginas: 88 Idioma: Portugues ISBN: 9786553120112 Tipo:
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Aos 17 anos, Isabela Soares estreia na poesia com muita personalidade. Neste livro não há nenhum tipo de utopia, platonismo ou idealização da vida, mas nele se retrata uma condição humana que está do avesso, para além do que é triste e sem saída, sem ilusão ou esperança. Nele também não se ensina a autoajuda, mas atenta-se ao amor A flor da pele como algo assustador. Amor, morte, fantasias mais livres e assuntos do cotidiano se alternam entre os temas abordados, recebendo um banho de imaginação fértil (que é própria do fim da adolescência) e sendo moldados por uma poeta capaz de criar cenas, eventos e situações inusitadas. Aqui, a vida é cruel, o mundo é cão e não há a possibilidade de pará-lo para alguém descer. Pode-se, talvez, imaginar o que viria depois da vida – o que também aparece no livro, mas de maneira muito sutil. O título é inspirado em uma música do Cazuza, vendo-se logo o quanto uma geração anterior foi capaz de influenciar outra (em específico o público das grandes cidades e da cultura de massa), levando a uma mesma temática sobre os desafios inúteis, as dificuldades e o desamparo, junto A sensação de um amor que é excessivo, exaltado, próprio da liberdade e insistente na expressão emocional. Talvez o leitor mais estudado possa reconhecer nesse tipo de poesia algo de Augusto dos Anjos (1884-1914), poeta paraibano do pré-modernismo, que em sua crítica A hipocrisia dos hábitos tradicionais (e munido de muito pessimismo) desconstrói crenças, verdades e costumes sem fundamento – que já não teriam praticidade ou qualquer sentido. Isabela Soares fala da morte com um niilismo latente e assumido, em uma espécie de visão crua do mundo, advinda de um pensamento que é também de puro realismo aplicado As relações em sociedade. Se por um lado ela fala de nossa irrelevância, da desimportância das coisas e de certas relações, há também as histórias bonitas de reinos que nunca existiram, de pessoas (com nomes próprios bem realçados) que podem ser até verossímeis, mas certamente não são reais. É quase um contraponto, mas também não são histórias que terminam exatamente felizes. O que se percebe, realmente, é uma dualidade, mostrando que apenas em teoria aceitamos as coisas como são e o mundo como ele é. Nem o mundo interno nos salva, porque ele é invisível e solitário. É quase uma demonstração de que a vida não faz sentido, mas também não há gravidade nisso. Se aparentemente se descrê de um aprendizado maior (a religião é citada de modo sutil, mas tem-se a impressão de que em uma conversa com Deus, ele apenas assiste), é também uma forma de crítica, mostrando que há pessoas vivendo simplesmente A espera da morte (como expressou um famoso roqueiro), e que quem foge a esse padrão estaria apenas em condição de desespero. Ou seria de lucidez? Cabe a pergunta: então por que a autora escreve? Ela precisa? Seria para satisfazer a um romantismo disfarçado na voz íntima de quem sabe que não há caminho satisfatório? É pior o excesso ou o comedimento? Na consciência de que o que dói é a falta de amor, pode-se até sofrer pelo abandono, mas o que dói mesmo é não se reconhecer – é não se aceitar dentro da realidade mundana: é fugir do que se busca, em meio ao caos, que é saber sobre si mesmo. Para o leitor, vale a pena matar essa curiosidade. Sua sorte está lançada. Filipe Moreau
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