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Zum - Vol.23 - Fotografia Contemporanea
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Zum - Vol.23 - Fotografia Contemporanea
Nogueira, Thyago Maltz, Rony
O SÉCULO 21 enterrou a ideia de uma realidade única e compartilhada. O que haveria de universal quando uns falam por outros, oferecendo pontos de vista como corolário de seus privilégios? No campo da arte, a fragmentação invadiu o quadro, ajudando-nos a inverter a perspectiva. Artistas originais investem em colagens e reorganizam arquivos para suturar lacunas e compor novas realidades.Capa e abertura da edição, Val Souza revigora o feminismo ao nutri-lo com imagens de mulheres negras. Em seus autorretratos, Souza enfrenta o olhar que objetifica, assim como desafia os padrões estreitos de beleza. Sua busca por uma redefinição de Vênus deu origem a um painel trans-histórico, que celebra a divindade de mulheres independentes e resilientes. Nos anos 1970, Gretta Sarfaty também rompeu padrões ao ironizar sua própria imagem. Iconoclasta, Justine Kurland retalhou o cânone fotográfico para protestar contra o patriarcado reinante. Sobreviventes da ditadura argentina, as mulheres – e fotografias – do Arquivo da Memória Trans reescrevem a história e testemunham a vida que resiste à opressão e ao preconceito. Nas performances da entidade amazônica Uýra, resistir é também uma forma de apreender com a natureza.Ao longo da história, a fotografia experimentou diferentes maneiras de olhar para o outro. Em comovente homenagem ao cineasta Andrea Tonacci, a pesquisadora Patrícia Mourão de Andrade resgata a originalidade, as hesitações e os impasses de um cinema comprometido com a luta alheia. Falecida este ano, Lourdes Grobet glorificou a luta livre ao valorizar os esportistas que dão corpo à cultura popular mexicana. As fotografias do cineasta Affonso Uchôa e do artista Desali exibem sua própria realidade “sem pieguismo, sem autocomiseração ou pretensos exercícios de empatia”, nas palavras de Cidinha da Silva. “São expressões de uma periferia do Brasil por sua própria voz”, continua a escritora mineira, ecoando também o novo trabalho de Maxwell Alexandre, que retira os negros dos quadros para exibi-los nas galerias, onde escolhem o que e por que ver. Tempo de mudança!Thyago Nogueira, editor
Livro recomendado para literatura, leitura, conhecimento, educação, aprendizado, cultura e desenvolvimento pessoal.
Uma leitura indispensável para quem busca conhecimento de qualidade.
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