Embora
Embora
Britto, Paulo Henriques
Nono livro de poemas de um dos mais consagrados poetas, contistas e tradutores brasileiros em atividade, este volume traz Paulo Henriques Britto em sua melhor forma. Avesso ao sentimentalismo, aos arroubos, A autocomiseração, o autor criou uma poética extraordinária, com linguagem afiada e irônica, equilibrada entre o ceticismo e a descrença.Embora os poemas de Paulo Henriques Britto sugiram resignação e pessimismo, uma segunda leitura pode revelar o sentido oposto. A própria insistência em escrever — em tentar encaixar o mundo na forma fixa do verso — opera como um impulso visceral, orgânico,/ que mantém o cérebro ativo/ e combate ataques de pânico. Como ele demonstra na série Intransitivas, a função terapêutica da poesia não pode ser descartada: É palavra em lugar de droga,/ espécie incorpórea de ioga.Não se trata, é claro, de imaginar que o poema possa oferecer soluções para os problemas do mundo ou dar fim As nossas angústias individuais. Longe disso. Mas o humor mal-humorado e desesperançoso do poeta atesta que o poema cria uma existência/ não real, mas não de todo improvável,/ uma presença falsa que compensa. É nessa ausência, ou falsa presença, que a poesia mostra ser capaz de oferecer o gosto, o som, a cor e, assim, curiosamente, cumprir o que promete.
Livro recomendado para literatura, leitura, conhecimento, educação, aprendizado, cultura e desenvolvimento pessoal.
Obra recomendada para ampliar horizontes e enriquecer a experiência de leitura.
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