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Olho Reavido
Cód: 9786555191783
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Olho Reavido
Collin, Luci
amar sem ter é paradoxo de tempo e espaço é sismo sem magnitude amar sem ver amar sem nunca saber é o oco do solilóquio é o virtuosismo do mormaço amar sem haver, sem nem refúgio nem regaço o solipsismo do osso o insosso do avatar amar sem contemplar amar sem abraço é o aço do estoicismo é esboço de amar, ameaço amar sem abranger é a armadilha da troça bagaço de amar, sobrosso amar sem ter vossa mercê haver-se assim não se possa amar sem ser O olho reavido deste novo livro de poemas de Luci Collin preenche o espaço entre o dito e o não dito. Luci ousa na escolha do que enuncia e no silêncio que fala (o justo pejo do silêncio honrado na palavra feito olho; luz sem sombra, silêncio bruto). Da leitura das imagens dos poemas, concluímos que o olho não é incisivo, que pode ser de pérola e espanto, pode ser um coração que sangra e ser ilusório o que vê. Enxerga os entardeceres e o escuro, o da noite solitária e cega de uma epígrafe de Agrigento. Um olho de alcance enigmático e admissível está também no esquecimento e na memória, engenho e abrigo que tornam presente a ausência. Protege contra lembranças mutiladas, segue os caminhos da melancolia e do desejo e vê a história fugir nalgum cavalo fátuo porque tem seu próprio alfabeto. Memória de baú primitivo (sou longe e existida): o que já foi e dolorosamente falta. Uma poesia que resulta de sentimento — sim, isso —, para parodiar uma epígrafe de Wallace Stevens, não teme o lugar do eu, aqui um eu oblíquo, contido, severo ou extravagante, que não se sobrepõe A segunda ou A terceira pessoa, nem As coisas (o que é mais desconforme nisso tudo: eu mesma/ou/essa mesa que pus/com duas xícaras de chá). Este eu está na substância sólida ou na mais etérea, naquilo que o olho vê ou a mão alcança (eu nessa, tanto o vulto quanto o halo eu nisso). Em palavras bem escolhidas, que surpreendem e desconcertam, os versos falam do escasso e do tímido, sem permissão de água nenhuma, e insistem na exposição da nossa existência rala. Poesia límpida, sem excessos. Precisa. Existem referências sutis e outras diretas, como a do poema intitulado Cantares, que evoca o Cântico dos Cânticos: seja prazer e louco proveito/ porque não guardo vinha nem preceito para além do arroubo/do gozo. Cada verso deste livro deve ser observado com olho desapressado. Tudo que é belo é lentamente, diz um deles. João Almino Luci Collin, poeta, ficcionista, tradutora e educadora curitibana, tem mais de vinte livros publicados. Foi finalista do Prêmio Oceanos com Querer falar (poesia, 2014). Por esta editora tem publicados A árvore todas (contos, 2015), A palavra algo (poesia, 2016, Prêmio Jabuti), Papéis de Maria Dias (romance, 2018 — com peça teatral homônima montada pelo Teatro Guaíra), Rosa que está (poesia, 2019, finalista do Prêmio Jabuti) e Dedos Impermitidos (contos, 2021, Prêmio literário Clarice Lispector, Biblioteca Nacional). Participou de diversas antologias nacionais e internacionais (nos EUA, Alemanha, França, Uruguai, Argentina, Peru e México). Com Doutorado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês (USP, 2003), é professora aposentada do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFPR. Ocupa a Cadeira n. 32 da Academia Paranaense de Letras.
Livro recomendado para literatura, leitura, conhecimento, educação, aprendizado, cultura e desenvolvimento pessoal.
Excelente opção para leitores que valorizam conteúdo relevante e inspirador.
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