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Aos Outros Só Atiro O Meu Corpo
Cód: 9788571051201
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Aos Outros So Atiro O Meu Corpo
Iorio, Maria Isabel
Existe literatura feminina? Essa pergunta nos é feita sempre a nós, poetas-mulheres, e de certa forma ela nos persegue. Ainda que gênero seja uma invenção, a divisão sexual do trabalho e os papeis sociais impostos As pessoas que se autoidentificam como mulheres* é muito real e esses fatores influenciam nossa escrita, óbvio, porque influencia a nossa vida. Assim sendo, é claro que existe uma literatura feminina, por mais raiva que eu sinta em aceitar. Só que esse aspecto, que por séculos foi limitação, vira elemento emancipador, a partir do momento em que nos acotovelamos para dar a nossa versão dos fatos: se é nesse mundo, e não em outro, que vivemos, e se as coisas são assim, e se há coisas que só um corpo de mulher sabe, então é disso, meu amor, desse corpo nesse mundo, de que falaremos. Nesse sentido, a poesia de Maria Isabel Iorio vem como um coquetel molotov atirado por alguém que está sozinho, mas sozinho está no meio da multidão, dentro desse protesto infinito que é ser mulher, e que é ser mulher brasileira desde 2013. Aos outros só atiro meu corpo, que começa com a palavra chupar e termina com a palavra falar, é um livro sobre a solidão que historicamente nos persegue em todas as nossas facetas – poetas, mulheres, feministas, esquerdistas. Como diz a própria autora, existem ofícios, hábitos e acontecimentos que só podem ser feitos quando estamos sozinhos – cortar as unhas depois do banho, lembrar escovar os dentes de trás. Ser preso político. Morrer. Morrer trabalhando. Morrer de desgosto, desistir. Morrer não em outro, mas neste mundo – o de Brumadinho, de Suzano, o de Damares, onde podemos contar com tão pouco, onde nem mesmo a dor é companhia certa, porque parece que a dor também se atrasa. Mas esse é o mesmo mundo onde nossos dedos tremem quando adentram o corpo que amamos, onde qualquer boca é metade de um beijo. O livro de Maria Isabel Iorio não vai te afagar, talvez porque seja 2019, talvez porque ela confie que nós, seus leitores, precisamos menos de afago e mais de sustos. De menos aviso de gatilho e de mais coragem. Eu não sei o que Bel queria com esse livro, mas sei que ele está situado, pensando em nós e existindo entre nós, no Brasil 2019. É esse seu maior feito. Adelaide Ivánova
Livro recomendado para literatura, leitura, conhecimento, educação, aprendizado, cultura e desenvolvimento pessoal.
Título que se destaca pela riqueza de informações apresentadas.
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