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Sucupira Não E Aqui?

Cód: 9786553612150

Autor: Duarte Neto, Henrique Ano: 2023 Páginas: 72 Idioma: Portugues ISBN: 9786553612150 Tipo: Brochura
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Sucupira Nao E Aqui?

Duarte Neto, Henrique

Garçom, traz mais uma cerva/ bem gelada!O leitor desavisado que não se deixe enganar pela indagação no título deste novo livro de Henrique Duarte Neto. De forma alguma ele expressa uma dúvida, pois reafirma antes a veemência irônica de constatar afirmativamente a naturalização do absurdo que leva A certeza de se dizer que, sim, Sucupira é aqui, onde tudo é possível acontecer.E, nestes últimos anos, tendo A memória o que foi o país, tudo aconteceu de tal forma que aquela minúscula cidade imaginada por Dias Gomes, a Sucupira do histriônico prefeito Odorico Paraguaçu, de O bem-amado, pareceu confirmar a metonímia insinuada por Henrique: deixando de ser apenas a metáfora imaginada por Gomes, Sucupira cresceu de forma espetacular e se tornou o país.O Bem Amado demagogo e corrupto que iludia o povo simplório daquela pequena Sucupira, no litoral baiano, com seus discursos inflamados e verborrágicos, reencarnou sem farda, em fraldas (fraudes?!) geriátricas, num recruta zero, agora felizmente já decaído do cargo e muito ocupado em dar explicações A Justiça, após um período sintetizado num dos poemas: Um Grão-duque expõe planos mirabolantes…/ Toda a tropa perdeu as calças e os fundilhos…/ Choram as viúvas de um palhaço sem graça…/ Já o cortejo espera pelo troar do clarim….Essa Sucupira transtornada e transformada, transparecendo querer retornar A farra com a constatação de que O clima esquentou, pede: Garçom, traz mais uma cerva/ bem gelada!. O lírico já etílico a essa altura carnavaliza em comparações inauditas o Fim do Mundo: O apocalipse/ e a apólice de seguro – O juízo final/ e o juiz de futebol. Nesse lugar fantasioso o que resta do legado grego não são filosofia, olimpíadas, tragédias, mas o beijo grego!Por isso, ainda que se vislumbre um senso de humor que tenta superar a ressaca, são notáveis as indagações poéticas que tateiam a identidade com a sensação de estranhamento: tudo é miragem?/ contemplo o espelho/ e não me reconheço!. O credo, um esgar, é apresentado desconcertante e enfraquecido: entre a devoção e o rito,/ um hiato, um vazio,/ locus de um deus claudicante.A consumição da natureza aponta a incontestável consumição do corpo e, diante desse impasse, sem futuro, resta a evocação do passado com amargor: o pau-brasil virou mastro de mentecaptos em meio a viúvas de vivos, fagueiras na fantasia da extinção do outro.Daí que entre o crer e maldizer da nação vira-lata, resta o senso de humor poético que tenta saídas nas constatações irônicas: o poeta marginal enriqueceu e, da Grécia, o legado que restou é o beijo grego. Estamos, portanto, em meio a um Humano Colapso anunciado, daí que, ué, Sucupira não é aqui?, então só resta ser enfático: Garçom, traz mais uma cerva/ bem gelada!Ademir Demarchi–

Livro recomendado para literatura, leitura, conhecimento, educação, aprendizado, cultura e desenvolvimento pessoal.

Obra recomendada para ampliar horizontes e enriquecer a experiência de leitura.

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