A Invenção Da Dor
Cód: 9786553120433
Disponibilidade: Em Estoque
Informações técnicas
Páginas
88
ISBN9786553120433
Ano01Ed/26
TipoBrochura
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Há Um Ponto Em Que A Palavra Deixa De Explicar E Passa Apenas A Insistir. É Ali Que Este Livro Se Instala. Não No Relato, Não Na Memória Organizada, Mas Nesse Lugar Em Que Escrever Se Torna Um Gesto Repetido Contra Algo Que Não Cede. O Que Se Lê Em A Invenção Da Dor Nasce Dessa Insistência: Uma Escrita Que Retorna, Varia, Contorna, Recua E Avança, Como Quem Sabe Que Não Há Linha Reta Possível. Fabrício Hoffmann Trabalha A Linguagem Como Quem Trabalha A Terra Dura, Sem Promessa De Colheita. As Formas Surgem E Se Desfazem, Severas, Excessivas, Deliberadamente Instáveis. O Poema Clássico Aparece Não Como Abrigo, Mas Como Prova; O Fragmento, Não Como Fuga, Mas Como Consequência. Nada Aqui Se Acomoda. Cada Texto Carrega A Marca De Uma Luta Silenciosa Entre Controle E Ruptura, Entre O Desejo De Forma E Aquilo Que A Corrói Por Dentro. O Sujeito Que Atravessa O Livro Não Busca Ser Compreendido. Ele Se Observa, Se Desautoriza, Se Contradiz, Permanece. Há Ironia, Violência Verbal, Momentos De Suspensão Quase Mineral. O Tom Oscila Mas A Ética É Uma Só: Não Suavizar. A Escrita Se Recusa A Funcionar Como Consolo, Confissão Ou Espetáculo Da Dor. O Que Está Em Jogo É Outra Coisa: A Permanência Da Linguagem Quando Já Não Se Espera Redenção. Ao Final, Não Há Resolução, Apenas Um Tipo Raro De Quietude. Não A Paz, Mas A Aceitação De Que Palavra E Silêncio Respiram Juntos, De Que Escrever É Ficar, Mesmo Quando Tudo Empurra Para A Dispersão. A Invenção Da Dor É Um Livro Que Se Sustenta Nesse Lugar Estreito, Onde A Literatura Não Promete Saída, Mas Oferece Forma Ao Que Insiste Em Permanecer. Renata Py
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