Ab Cena
Ab Cena
Dalbelo, Sabrina
Há uma frase de que gosto bastante que talvez sirva aqui de exemplo para o que este livro propõe. Ela é de Gonçalo M. Tavares e lê-se como segue: Errar, circular, hesitar em redor do que não tem solução: um método.Vejamos:Uma mulher canta Lady Gaga como se estivesse se livrando dos espartilhos.Uma mulher salta no rio e nada com seus ancestrais.Uma mulher deita a cabeça no travesseiro e acorda muito tempo depois, amanhã.Poemas, ficções curtas, dramaturgia, registro de sonhos? Apresentando-se como uma interessante proposta intergênero, os textos deste livro não parecem querer ser rotulados. Se, do ponto de vista dessa escrita intergênero, podemos filiá-lo a escritoras como Anne Carson e Matilde Campilho (para citar apenas duas), a investigação de existências de mulheres se situa, na literatura brasileira, com pelo menos três precedentes importantes de serem mencionados: O útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas, uma mulher, de Flávia Péret, e Mulher sob a influência de um algoritmo, de Rita Isadora Pessoa.Os textos de Ab cena são, nesse sentido, a continuidade de uma tradição que se instaura com força na poesia contemporânea brasileira e colocam sob os holofotes uma mulher (ou várias mulheres?) que, em algum momento, sente-se afinal livre e se permite algo — ou, pelo contrário, faz o que se espera dela. Lendo os textos na sequência, cumulativamente apresentam-se variadas possibilidades interpretativas que hesitam, como método, em redor de questões poderosas sobre as experiências humanas.Lilian Sais
Livro recomendado para literatura, leitura, conhecimento, educação, aprendizado, cultura e desenvolvimento pessoal.
Obra recomendada para ampliar horizontes e enriquecer a experiência de leitura.
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