Ajeum Mil
Cód: 9786560081284
Disponibilidade: Em Estoque
Informações técnicas
Páginas
170
ISBN9786560081284
Ano01Ed/26
TipoBrochura
R$ 60,00
no PIX
ou R$ 60,00
em até 1x de R$ 60,00 sem juros
Quando Dizemos Ajeum, Em Iorubá, Ou Mi’U, No Idioma Sateré-Mawé, Não Estamos Apenas Falando De Comida; Estamos Demarcando Territórios De Conhecimento A Partir De Nossas Línguas, E Isso É Um Gesto De Contracolonização. Por Meio Dessas Palavras, O Alimento Não Se Restringe Ao Prato; Envolve Território, Corpo E Espírito; É Encontro, Partilha, Cuidado E Ancestralidade. Assim Afirmamos Nossa Maneira De Existir, Sentir E Alimentar, Recusando A Lógica Que Busca Nos Limitar E Insistindo Que A Comida É, Antes De Tudo, Vida Em Movimento. […] No Âmbito Dos Sistemas Alimentares, Nos Orientamos Pelos Ensinamentos Das Nossas Mestras E Nossos Mestres, E Tomamos A Roça E O Terreiro Como Experiências Concretas Capazes De Demonstrar Modos De Produzir E Compartilhar Processos Alimentares Ancestrais. Escolhemos A Roça E O Terreiro — E Não Os Sistemas Agroflorestais, Por Exemplo — Porque No Encontro Com Os Nossos E As Nossas Não Seria Necessário Apresentar-Lhes Uma Definição Ou Tecer Explicações Conceituais A Respeito De Espaços Que Já Fazem Parte Do Seu Cotidiano. Roça E Terreiro, Em Nossas Comunidades, São Lugares De Produção De Alimento E Cuidado, De Encontros Para A Partilha Da Vida, De Conexões Com A Espiritualidade E De Articulações Para As Lutas. São Tecnologias Ancestrais Que Se Situam Em Processos Históricos E Dinâmicos No Tempo — Não São Técnicas Atrasadas, Retrógradas, Como Alguns Insistem Em Rotular.— Inara Nascimento & Rute Costa***A População Afrodescendente E Os Povos Indígenas No Brasil Foram Historicamente Privados Do Acesso À Terra, Expostos De Forma Mais Intensa Aos Riscos Da Degradação Ambiental E À Ruptura De Seus Sistemas Alimentares. A Insegurança Alimentar (Moderada Ou Grave) Atinge Mais Domicílios Chefiados Por Pessoas Negras Do Que Por Pessoas Brancas, E O Consumo De Frutas E Verduras É Menor Entre As Famílias Negras. O Avanço Dos Alimentos Ultraprocessados Tem Sido Desproporcionalmente Mais Intenso Entre Pessoas Negras E, Principalmente, Indígenas — Ameaçando Não Apenas A Saúde, Mas, Em Casos De Quilombos Em Áreas Rurais E De Povos Aldeados, Também A Sociobiodiversidade E Diferentes Culturas Alimentares. Ao Mesmo Tempo, Há Lacunas De Conhecimento, Como Dados Desatualizados, Além Da Inexistência De Metodologias Validadas E Pesquisas Que Ofereçam Um Retrato Mais Nítido Da Situação Alimentar Vivida Pelos Povos Indígenas No Brasil. […] Com As Desigualdades À Vista, É Fundamental Estimular O Olhar Para As Questões Étnico-Raciais Na Alimentação A Partir Dos Alicerces Negros E Indígenas, De Suas Potências, De Seus Saberes Constituídos Na Ancestralidade, Assim Como De Suas Reflexões Na Ciência E Na Produção De Conhecimento Recente. […] Rute Costa E Inara Nascimento Generosamente Acolheram O Chamado Para, Juntas, Preparar E Consolidar Bases Nesse Terreno Fértil Em Que Ciência, Cultura, Ancestralidade E Ação Política Negra E Indígena Pudessem Dialogar. Esse Encontro De Trajetórias Teceu A Trama Que Se Sustenta Ajeum Mi’U. A Sensibilidade E O Rigor Se Encontram Neste Trabalho, Que Tem Na Própria Forma Da Escrita O Apontamento De Caminhos — Para Deleite Da Leitura, Como Uma Boa Refeição Compartilhada. A Proposta Inicial De Incorporar As Dimensões Étnico-Raciais No Debate Da Alimentação É Transcendida Neste Livro. Ao Ofertarem Espaço E Meios Para Absorvermos, Aprendermos, Escutarmos E Manejarmos Os Conceitos Aqui Apresentados, As Autoras Reafirmam Um Horizonte Para O Campo Alimentar, Reposicionando Suas Raízes Negras E Indígenas— Manu Justo, No Posfácio
Ainda não há avaliações para este produto.
Seja o primeiro a avaliar e ajude outros leitores!
Avaliação do produto
0.0
