Andar Como As Nuvens Andam
Andar Como As Nuvens Andam
Matsumura, Juliana
Cúmulo, cumulus, é a nuvem que mais aparece nos desenhos de criança. É a nuvem mais nítida, almofadada, branca. Junto a essa almofada volante, no desenho de criança, há sempre uma casa cujo telhado é vizinho das nuvens. Essa casa deve ser a casa mais célebre do mundo — bilhões de crianças já a desenharam, vão desenhar e estão desenhando.Na poesia, essa casa matriz é Babel. Todos reconhecem sua existência, mas ninguém tem sua morada. Muitos escrevem sobre ela, mas sua aparência é sempre diferente. Ruína, castelo, floresta, cidade, água, ventre, amor, morte. Todas as palavras podiam ser casa em poesia. E é por isso que a casa de criança nunca se repete.Nesta poesia, essa casa é omnipresente, mas nunca igual. Ela é […] a promessacasaa casaa casa e é, em simultâneo, o lar em chamas, a rua com nome de mulher em Mogi das Cruzes ou a guarida de uma avó. Essa casa tem [t]eto, chão, portas e janelas./Feijão no fogo, pão. E essa casa é também o espaço minúsculo onde despontaa maior dasespécies de plantaaquática de árvoreatlânticaexplodindo em cachoeirasEssa casa existe na realidade e não existe na realidade. Ela se comporta como nuvem. Tanto se contém num novelo de algodão como se torna em uma enchente cuja força só a poesia consegue suportar.Regina Morais
Livro recomendado para literatura, leitura, conhecimento, educação, aprendizado, cultura e desenvolvimento pessoal.
Uma leitura indispensável para quem busca conhecimento de qualidade.
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