Deus Também É Uma Cadela
Cód: 9789899348110
Disponibilidade: Em Estoque
Informações técnicas
Páginas
96
ISBN9789899348110
Ano01Ed/26
TipoBrochura
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“Que a tua fúria me dê um corpo”A primeira coisa que senti lendo a poesia de María Paz Guerrero é que ela é mestra em prender o lugar-comum com um fio, amarrá-lo à maçaneta e arrancá-lo como a um dente de leite. São puxões secos, bem-intencionados e, muitas vezes, bem-humorados. Ela expõe a raiz do fracasso, do pedantismo e do sonho americano para que o novo (sempre) venha.Neve e desterro, fim e começo, um divino despojado de disfarces como na canção de Joan Osborne. Há a paz, e há a guerra, e há Maria, tão banal e mundana e universal que só poderia ser deus.Este livro está com medo, está com fome, está com pressa, está com tudo. “Está” porque é verbo de passagem, é transitivo e direto. O verso não está escrito na pedra. Ser e estar não se confundem como no dialeto do imperialismo, ser e estar são distintos nessa língua mátria porque precisa ser exatamente assim.Sua tradução, feita por uma mulher, latina e imigrante, preserva com maestria os elementos dessa tempestade tropical. O movimento marca as palavras e os espaços, e os poemas se espreguiçam, indomáveis e contraditórios como a tigresa de Lygia Fagundes Telles.Deus também é uma cadela tem o conforto de uma aguapanela (com limão verde latino-americano). Tem o doce da cana e o azedo de séculos de exploração e patriarcado. Tem o suor do sacrifício e a entrega da saliva, dentes e mãos capazes de nos trazer conforto em dias tão difíceis. Sua ironia fina nos deixa nuas, e, gratas, sorrimos.
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