Deve Ser Um Buraco No Teto
Deve Ser Um Buraco No Teto
Paixao, Camila Moreau, Filipe
Num ato, uma caneca de porcelana abriga um poço.Em outro, dois corpos são um eclipse, (...) e cobre/com a luz/do seu dia/a minha noite. Camila Paixão olha para cima e inaugura uma cartografia íntima de um corpo poético que se contorce. Um buraco podeser tanto intruso quanto escape: o intercâmbio entre fora e dentro se articula em simbioses – se entrar é inevitável, sair é urgente. Somos convidados a olhar para o passado e experimentar memórias que denunciam: os passos/ eram falsos. Sem a possibilidade de esquecimento, não há leveza no caminhar o que há é peso, acúmulo e pressão. Em deve ser um buraco no teto, estamos diante de um corpo que fala – mãos, boca, olhos, língua e garganta se colocam em movimentos de intradiálogos, subindo, A superfície da pele, as profundezas da alma. Se Paul Valéry estava certo quando disse que o mais profundo é a pele, então O corpo/é também/um caminho/a ser percorrido. Para o sujeito lírico, a palavra é um músculo que tensiona. Entre prelúdios, prólogos e epílogos, a perspectiva da subjetividade poética é a de ser forjada a partir de uma espiral de ausências, vazios e silêncios. Embora, para Camila, o livro seja um corpo habitado e exista o desejo de arremate, o que há, no fundo, é um buraco no teto.Carol Sanches
Livro recomendado para literatura, leitura, conhecimento, educação, aprendizado, cultura e desenvolvimento pessoal.
Uma leitura indispensável para quem busca conhecimento de qualidade.
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