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Dialogo Entre Um Padre E Um Moribundo

Cód: 9788573211672
Autor: Sade, Marques De
Editora: Iluminuras
DISPONIBILIDADE: ENVIO IMEDIATO
Informações técnicas
Páginas 128
ISBN9788573211672
Ano2001
TipoBrochura
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Dialogo Entre Um Padre E Um Moribundo

Sade, Marques De

A posteridade nunca foi muito justa com Sade, tantas vezes considerado apenas como um pornógrafo, apesar de todos os seus esforços como livre-pensador. Segundo Lacan, ele teve a eminente função de retificar a posição da ética, abrindo caminho para o discurso vindouro da ciência positiva. Este teria sido o exemplo iniciático do tocador sadiano, comparável A Academia, ao Liceu, ou A Stoa da antiguidade. Por esse viés, A filosofia na alcova, um dos textos capitais do Divino Marquês, parece avant la lettre dialogar telepaticamente com a Crítica da razão prática de Kant. Ali, em Kant, o fundamento da prática da razão pura assim era enunciado: age de tal maneira que a máxima de tua vontade possa valer sempre como princípio de uma legislação universal. Todavia, no seu peculiar estilo, Sade afirmava: tenho o direito de gozar de teu corpo, e hei de exercê-Io sem que limite nenhum me detenha no capricho das exigências que me dê vontade de saciar nele. Por esta regra, pretende-se a submissão da vontade de todos, desde que uma sociedade a torne efetiva, pelo seu caráter obrigatório. O imperativo categórico, presente nos sistemas que se desprendem dos livros de ambos os pensadores, acaba por posicioná-Ios como debatedores de uma mesma questão: a redução da lei A norma, isto é, a defasagem entre a lei moral e a moral social. Debochado, porém sério, Sade propunha, de modo kantiano, uma relação entre a moral uniforme do homem natural e os desideratos da Revolução Francesa: para ser ver dadeiramente republicano, o cidadão devia ser ateu até as últimas consequências. Nas suas argumentações, o ateísmo racional era apresentado, em primeiro lugar, como herdeiro das crenças monoteístas, das quais manteria a economia unitária da alma, junto com a propriedade e identidade de um eu responsável em segundo, poderia ser promovido A alçada de uma religião por último, e como corolário, a razão, no espírito revolucionário, seria convertida em um deus. Por estas e outras, pode ser sintetizada numa única imagem uma miríade de palavras: no final do filme Contos proibidos do Marquês de Sade, quando um padre aproxima um crucifixo do personagem principal, que não é outro senão o próprio Iibertino, agora agonizante, é perfeitamente coerente que este o engula, evidenciando, naquele gesto, seu verdadeiro desejo, impenitente e blasfemo. Os sofismas e anátemas reunidos no presente volume, escritos há séculos, conservam hoje a virulência de então, comprovando como o futuro de uma ilusão continua sendo chamado de religião. Pois, para todos os efeitos, se Deus existisse, com certeza seria bastante sádico... Oscar Cesarotto

Livro recomendado para literatura, leitura, conhecimento, educação, aprendizado, cultura e desenvolvimento pessoal.

Conteúdo elaborado para agregar valor ao desenvolvimento pessoal.

Autor Sade, Marques De
Editora Iluminuras
Idioma Portugues
ISBN 9788573211672
Páginas 128
Ano de publicação 2001
Tipo de capa Brochura
Peso 450 g
Dimensões 16 x 23 cm
Formato Impressão
Categoria Ficção
Código do Produto 155551

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