Fresta
Fresta
Rossi, Marilia
Uma fresta é ruptura: a depender da circunstância, pode ser que seja necessária — mas nunca fácil. Uma fresta também é brecha: através dela enxergar o que há do outro lado, ainda que não se possa transpassar muro. E ainda: por meio de uma fresta, a água vence a telha, e o concreto e pinga sua liberdade até formar poça, encher balde — então nunca lidou com uma goteira no teto? De todas as metáforas imagináveis com o título do livro que você tem agora As mãos, nos encanta pensar que todas as significações são possíveis. E as tantas mais que lhe couber criar. Marília nos presenteia essas frestas como possibilidade de ver o facho de luz que invade um quarto escuro atrás de paredes cerradas: a expectativa da flor — e há um imenso jardim delas aqui — move um corpo que busca força em direção a um que-virá ao mesmo tempo em que contempla, crítico, vez-que cético, o presente: só o nada testemunha o espaço entre o céu e o todo, observa a poeta. Entre os bordados, flores, águas, nuvem e brecha costurados neste livro, Marília alinhava arremates precisos sobre o existir/resistir mulher, imigrante, lgbtqia+. Nos fios, cores que nos levam ora a um estado onírico: tem um mar em mim que é só vertigem, ora a uma assertividade crua: é esse silêncio resguardado/o meu direito sobre o mundo, ora a imagens lúdicas: a bota sem par da cartografia da Itália. Afinal, é preciso leveza para a luta. E assim, a costura que parte da ex
Livro recomendado para literatura, leitura, conhecimento, educação, aprendizado, cultura e desenvolvimento pessoal.
Título que se destaca pela riqueza de informações apresentadas.
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