Paixão Segundo Mateus
Paixao Segundo Mateus
Cony, Carlos Heitor
Entre a rua e o seminário, cenário da adolescência do próprio Cony, Paixão segundo Mateus começa com mortes e investigações policiais, com uma mulher estirada na calçada, de camisola rosa apresentando manchas de sangue sujas de pó e uma fita vermelha entre os dedos. Quando o delegado sai de cena, ainda nas primeiras páginas, o leitor faz um longo passeio pela infância do seminarista Mateus em Vila Isabel, pelos escuros corredores de uma igreja pobre e abandonada e pela própria Igreja como instituição visita um hospital católico, os escritórios de uma grande empresa patrocinadora de eventos culturais e os bastidores do Theatro Municipal. Os personagens e os cenários são marcados por infortúnios e desassossegos de corpo e alma: a igreja precariamente construída, onde apodrecem sinos belgas nunca instalados, e destruída pelo fogo o padre manco que leva no corpo cicatrizes da obra de sua igreja e entrega as hóstias com sua mão-garra o seminarista que se torna um advogado liderado pela irmã a amante-viúva que se envolve com um padre mergulhado em tentações, um médico de curetagens, devorador de bananas e galinhas, e até um camarada magrinho, sem queixo, muito bêbado, famoso nas adjacências pelos seus sambas. O desencanto com a vida religiosa, que permeia toda a obra, se apresenta em meio a disputas e intrigas que se desenrolam entre igrejas, hospitais e a cidade entre profano e sagrado entre pianos e órgãos.
Livro recomendado para literatura, leitura, conhecimento, educação, aprendizado, cultura e desenvolvimento pessoal.
Uma obra que desperta interesse e novas perspectivas sobre o tema.
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