Sabor De Química
Sabor De Quimica
Jatoba, Roniwalter
O campo e a cidade são os polos que se encontram neste livro de estreia de Roniwalter Jatobá. Escrito no fervor da ditadura civil-militar, a obra carrega a característica central que irá marcar todos os demais trabalhos do autor, o de trazer para o centro aqueles que sempre ficaram As margens. Os despossuídos, desenraizados, as ruas de terra com moradias precárias, a falta de saneamento básico, os salários que não chegam ao fim do mês, os transportes públicos lotados e insuficientes e as humilhações corriqueiras aparecem aqui como protagonista de uma literatura que incomoda e chacoalha o leitor. Sabor de química é dividido em duas partes: Bananeiras traz histórias sobre os lugares de origem e narra o que se tem e o que se deixa, não por vontade ou autonomia, mas por necessidade. A cidade marca a segunda parte da obra, que apresenta ao leitor as diferentes tramas e armadilhas da metrópole e conta as memórias dos que chegam cheio de sonhos e são enviados para as periferias mais destroçadas e desassistidas. Nas palavras de Adelaide Ivánova, que assina o texto de orelha, Jatobá se aproxima do gesto de escrita-mosaico para traçar um paralelo emocionante entre aquilo que se deixa e aquilo que se encontra quando se é um trabalhador emigrado. Sempre o li como um 'romance de estilhaços', um espelho jogado no chão, como uma só e longa história de azares, cortada A faca, embaralhada com raiva, em que cada pedaço, cada caco, só existe para conformar um mosaico maior: o do horror primitivo de nossa desumanidade. Um livro fundador sobre aquilo que fizemos de nós mesmos e numa época muito particular, cinzenta. Eram os anos de chumbo, escreve Fernando Bonassi na inédita apresentação.
Livro recomendado para literatura, leitura, conhecimento, educação, aprendizado, cultura e desenvolvimento pessoal.
Livro que combina informação, entretenimento e aprendizado.
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